O Partido Restaurador
Atenção: este é um
trabalho de ficção.
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Nobres com propriedades suntuosas sustentam o Partido Restaurador
O Príncipe João, herdeiro do trono e foco das esperanças
dos restauradores |
A partir do final do século XVII e ao longo
do século XVIII, a abolição da escravatura, a redução dos privilégios da
nobreza, o acesso de indígenas e negros aos mais altos cargos e honrarias do
Império, o crescimento da influência do Mutirão sobre a monarquia e, nas últimas
décadas, o sucesso do Movimento Quilombola levaram parte da velha nobreza a organizar
um Partido Restaurador para defender os fundamentos da Civilização Européia e Cristã,
que julga ameaçados.
A maior parte dos líderes do Partido Restaurador
são nobres e grandes proprietários de terras, mas recebem apoio financeiro de banqueiros
e mercadores de pretensões aristocráticas e recrutam seus militantes mais fanáticos
entre jovens camponeses e pequenos burgueses brancos. Tenta também comprar alguns
votos entre as massas, mas com menos sucesso que os liberais. Tem seu maior apelo
popular entre imigrantes europeus tradicionalistas, graças à sua pregação em
favor da tradição, da família patriarcal e da proteção
da propriedade, grande ou pequena.
O Partido Restaurador vê o Império
Luso-Brasileiro como o Quinto Império das velhas profecias do Bandarra, aquele que está destinado a restaurar a grandeza
do Império Romano, impor ao mundo a verdadeira religião e durar mil anos. Pensa,
porém, que o Imperador e a Igreja Ecumênica falharam em sua
missão, renderam-se à demagogia populista e conspurcaram a pureza do
ideal imperial ao entregar as rédeas do Estado e da Igreja a raças inferiores.
Os restauradores são francamente racistas e
querem a restauração de uma monarquia quase absoluta, limitada apenas por uma Câmara
Alta formada por aristocratas hereditários. Pretendem também definir uma
estrita hierarquia de raças, castas e classes, dentro do Império, com os nobres
de origem portuguesa no topo, os judeus bem abaixo e os africanos e párias indianos
na base.
Para eles, o Imperador deve ser também a cabeça
da Igreja, que deve deixar de ser tão ecumênica e se tornar mais rígida e dogmática.
Embora a maioria deles seja contrária à reintegração na Igreja Católica Romana e
à submissão ao papado, muitos querem a volta aos ritos e à maior parte dos
dogmas tradicionais do cristianismo.
Outros, porém, planejam se ocupam discutindo os rituais,
a organização e a teologia de uma nova Igreja, racista e imperialista, que deve
ser capaz de justificar os privilégios das raças superiores – não só os
aristocratas de origem européia, mas também, por exemplo, os marajás e brâmanes
da Índia, dos quais também recebe algum apoio.
Porém, o Imperador Pedro II, um erudito de formação científica e progressista, ridiculariza as idéias
dos restauradores. Estes têm depositado suas esperanças no jovem príncipe João,
que tem dado ouvidos às suas adulações e às suas propostas.
Os restauradores possuem também simpatizantes na
Corte e no Estado-Maior da Marinha, com os quais sonham organizar uma
Contra-Revolução e assumir o poder, assim que o Imperador João VI subir ao
trono e nele estiver solidamente instalado. O Partido Restaurador está presente
em vários lugares do Brasil, de Portugal e da Índia, sem chegar a ser majoritário
em nenhuma região importante.
Para sua humilhação, recentemente foi reduzido a três senadores, tornando-se a menor das cinco
principais forças políticas. Sua sede está em Petrópolis, onde o palácio do príncipe
João serve secretamente de ponto de encontro para as conspirações de aristocratas
restauradores.